Escalar os 6.962 metros da montanha significa sofrer com temperaturas de até 28ºC negativos e a falta de oxigênio, comer comidas desidratadas, não tomar banho, enfrentar nevascas, congelar parte do corpo e chegar ao limite da exaustão. Você deve se perguntar: por que passar por tudo isso? O próprio Júlio responde:
- É pela aventura, pelo desafio de conhecer o limite do próprio corpo. É a emoção de sobreviver com o mínimo possível.
O assessor legislativo, de Esteio, subiu primeiro o Cerro del Plata, o qual havia escalado em 2006 e em 2007. A subida foi estratégica: com 6,3 mil metros, conseguiria aclimatar-se para finalmente chegar ao Aconcágua. Mas foi sem sucesso. O mau tempo e o congelamento da mão direita na primeira tentativa fizeram com que voltasse.- Não sentia mais nada. Me dei conta de que ela estava assim quando não consegui mais fechá-la - lembra o montanhista.
Júlio chegou ao pé do Aconcágua dia 16 de janeiro. Antes de iniciar a subida, ainda na base, conheceu centenas de aventureiros do mundo. Ali, não importa a língua e a nacionalidade, "todos se entendem por mímicas e gestos" e acabam tornando-se amigos. O gaúcho juntou-se a um grupo de três paulistas, que conheceu no ano anterior, no topo do Plata, para a nova aventura. Do pé da montanha até o cume, há quatro paradas, entre elas uma a 5,9 mil metros, conhecida como Berlim. Nela, há um refúgio construído por montanhistas para abrigar os aventureiros em caso de emergência. O plano prevê paradas para comer e dormir nesses pontos, onde uma das atividades comuns é derreter a neve, que é transformada em água para beber e cozinhar.
Depois de oito dias de frio, cansaço e pouco oxigênio, Júlio e os paulistas chegaram ao topo da América. Havia uma nevasca. Dos 30 minutos que permaneceram, em apenas cinco deles o tempo abriu, período suficiente para apreciar a paisagem gélida e, claro, fazer o tradicional chimarrão gaúcho. O mate é, aliás, companheiro indispensável do alpinista.
- Sempre o levo junto. No topo, consegui tomar um quente, repassar um morno e, o terceiro,já estava congelado. Dou chimarrão para todo mundo. Ele é ótimo para a hidratação do corpo. É um costume que fechou com a aventura - acredita Júlio.
No alto do Aconcágua faltou, no entanto, apenas um detalhe:
- Não consegui registrar o momento da cuia na mão! A máquina fotográfica congelou (risos) - conta o aventureiro.
Fonte:ZH
Nenhum comentário:
Postar um comentário