É conhecida e reverenciada pelos devotos de praticamente todas as religiões a lenda urbana de que uma divindade teria sua morada permanente no centro do Mercado Público, na encruzilhada que resulta da confluência das quatro ruas. O Orixá Bará, que abre os caminhos, guarda casas e cidades e representa a fartura estaria assentado, ou seja, fixado em um objeto por meio de um ritual. Este objeto, chamado de ocutá, teria sido enterrado no centro do complexo, podendo ser visitado e reverenciado pelos religiosos.
Há duas versões para a lenda. Uma delas diz que o Bará foi assentado no objeto e enterrado no coração do Mercado pelos negros que construíram o prédio — prática comum, feita para atrair prosperidade. Outra versão diz que o ritual foi conduzido pelo príncipe Custódio Joaquim de Almeida, ou Osuanlele Okizi Erupê, nascido na Nigéria, em 1831. Ele seria o filho de um rei africano destronado pelos ingleses que teria vindo para o Brasil com o título de nobreza e vivido em Rio Grande e Bagé. Aos 70 anos, passou a viver em para Porto Alegre.
O fato é que a crença na existência de um Bará no coração do Mercado Público atrai os praticantes das religiões afro para o prédio. Durante a restauração mais recente, um mosaico foi montado no chão como um monumento para marcar a localização do objeto sagrado. Em busca do axé do Bará, os devotos iniciam-se na vida religiosa no local.
Chama a atenção que em cada um dos quadrantes existe uma flora destinada a comercializar produtos religiosos.
Na internet repercute a foto do incêndio no mercado público, que no meio das chamas teria um rosto de um homem.


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