Pouco mais de 12 horas depois do início do incêndio na boate Cabaret Voltaire, na avenida Independência, em Porto Alegre, o secretário municipal de Indústria e Comércio, Humberto Goulart, e um dos sócios, Carlos Beust, discutiram sobre a interdição da casa no início deste ano. A casa foi a primeira a ser fechada em Porto Alegre após o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria.
Segundo o secretário, o lugar não tinha condições de funcionar pelos riscos que representava aos seus usuários e considerou o local como um “pocilga”. Ele citou a fiação exposta, a desconfiança da espuma utilizada no teto e a higiene. Além disso, no corredor da casa e numa das saídas estavam depositadas várias caixas de bebidas, o que atrapalharia a circulação se houvesse uma situação de risco, apontou o secretário.
O sócio, que interrompeu as explicações do secretário à imprensa, rebateu as declarações e afirmou que o impasse está relacionado à divergência na legislação municipal. Isso porque a casa estava funcionando sem o licenciamento ambiental. Ele disse que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam) não teria concedido a liberação porque a boate funciona próximo a um hospital. Ao mesmo tempo, a legislação da Smic autoriza o funcionamento, se houver a acústica sonora. “O impasse é interno da Prefeitura. A casa funciona dentro das normas e com o licença que tem validade até o dia 31 de maio”, afirmou Beust. O prejuízo estimado é de R$ 500 mil, segundo o sócio.
A discussão ocorreu quando peritos do Instituto Geral de Perícias (IGP) ainda faziam as investigações sobre as causas do fogo que consumiu dois terços da edificação, sobrando somente as paredes laterais e a fachada. Em relação ao incêndio, o sócio disse que pelas informações repassadas, o fogo começou entre o telhado e o forro.
A casa funcionava desde 1991, sendo que atualmente, tinha capacidade para receber até 236 pessoas, além dos 22 funcionários.
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