A família do ex-presidente João Goulart se reunirá no próximo dia 29 em Porto Alegre com representantes do Ministério Público Federal, do governo federal, da Comissão da Verdade e da Polícia Federal, além do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. O objetivo será avaliar como será feita a exumação do corpo de Jango, morto em circunstâncias misteriosas no Uruguai durante a ditadura militar em 1976 e sepultado em São Borja.
"Provavelmente virão também representantes do governo da Argentina. Haverá peritos toxicologistas que vão nos dar uma orientação representando a Polícia Federal", disse o advogado Christopher Goulart, neto de Jango e representante da família na investigação do caso.
O corpo do ex-presidente será exumado devido à suspeita de que ele foi assassinado, possivelmente em uma ação da Operação Condor (uma aliança entre as ditaduras militares da América do Sul nos anos 1970 para perseguir opositores dos regimes). Segundo Christopher, a investigação apontou a possibilidade de que o Departamento de Ordem Política e Social (Dops), órgão do governo militar, tenha enviado um homem ao Uruguai para matar o político.
"Uma testemunha que era agente a serviço da repressão do Uruguai traz uma história de fundamental importância como linha investigativa, e trazendo fatos novos é obrigação da família pedir a investigação. Mas essa questão transcende o interesse da família. É interesse do Brasil saber como um presidente faleceu, até porque estamos nos aproximando do cinquentenário do golpe militar", diz o advogado.

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