O papa Bento XVI, que surpreendeu o mundo ao anunciar o fim do seu pontificado no próximo dia 28, celebrou hoje provavelmente sua última eucaristia pública, na Basílica de São Pedro. Será efetivamente a última caso não haja modificações na sua agenda.O Pontífice denunciou o que definiu como "hipocrisia religiosa" e a busca por "aplausos e aprovação". Vestindo uma túnica roxa e lendo o texto escrito em laudas que ele próprio segurava, o Papa celebrava o ato religioso sentado. Com a ajuda de auxiliares, levantou-se e passou, de pé, a ler trechos da Bíblia, que era segurada por um auxiliar.
Durante a missa da quarta-feira de cinzas, Bento XVI afirmou que "o rosto da Igreja aparece por vezes desfigurado pelos pecados" contra sua unidade e pelas divisões no clero. O papa aproveitou a homilia sobre a quaresma para chamar a atenção da igreja e denunciar "golpes" contra a mesma. Também pediu aos fieis a superar "individualismos e rivalidades".
Mais cedo, em sua primeira aparição após anunciar a renúncia, Bento XVI ressaltou a importância do período da Quaresma e saudou nominalmente Porto Alegre e Curitiba em seu discurso. O Papa falou para cerca de 3,5 mil fiéis que acompanharam a audiência semanal na sala Paulo VI do Vaticano.
Diante de um público de várias nacionalidades, Bento XVI reafirmou que não tem mais condições de comandar a Igreja Católica.
O conclave, a reunião de cardeais para eleger o novo Papa depois que Bento XVI renunciar no fim deste mês, poderá começar a partir de 15 de março, informou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, nesta quarta-feira.
— O início do conclave não poderá ocorrer antes de 15 de março. Podemos prever o início do conclave para os dias 15, 16, 17, 18 ou 19 — disse.

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