Juramento do Jornalista

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Presos PMs suspeitos de assassinato de coronel


Depois da operação deflagrada pela Polícia Civil nesta manhã  em Porto Alegre, para prender os suspeitos de terem assassinado o militar reformado do Exército Julio Miguel Molina Dias em novembro, o titular da 9º Delegacia de Polícia, delegado Alexandre Vieira, não descartou novas prisões. Dois policiais militares do 11º Batalhão de Polícia Militar (BPM), a companheira de um e o cunhado de outro foram detidos até o momento. “Novas prisões podem ocorrer, inclusive de outros de brigadianos”, revelou o delegado em entrevista coletiva na Capital, ressaltando a existência de mais cinco pessoas investigadas no caso.
A Operação Mosaico foi desencadeada com a participação de cerca de 100 agentes, que cumpriram 14 mandados de busca e apreensão e outros quatro de prisão temporária. Além das detenções, foram apreendidos três pistolas calibres 380 e 40, oito carregadores, mais de 50 munições variadas, porções de maconha e crack, um colete balístico, uma touca ninja, quatro celulares, um notebook, dois computador e um monitor, roupas (inclusive com estampa de camuflagem), tênis e cinco bonés, entre outros objetos. Os policiais civis estiveram até no quartel e em uma companhia do 11º BPM. A Corregedoria da Brigada Militar (BM) participou junto da operação, que mobilizou a 14ª DP, 9ª DP e 20ª DP.
Ex-comandante do Doi-Codi no Rio de Janeiro durante a ditadura militar, o coronel Julio Miguel Molina Dias foi morto no dia 1º de novembro, quando chegava em seu Citroën C4 na frente de casa, na rua Professor Ulisses Cabral, no bairro Chácara das Pedras. Ele reagiu e trocou tiros com os assaltantes que o seguiram em um Gol, de cor vermelha, em situação de roubo, que seria encontrado abandonado três dias depois na região. Há suspeita de que os bandidos queriam entrar na residência e levar, entre outros pertences, a coleção de mais de 20 armas que a vítima mantinha.
Documentos encontrados na casa do militar nas investigações elucidaram dois episódios até então não esclarecidos da época da ditadura: a morte do deputado cassado Rubens Paiva, em 1971, e o atentado ao Riocentro, durante a comemoração do Dia do Trabalhador, em 1981. 

A investigação:

As investigações sobre o assassinato, feitas pela 14ª DP, se cruzaram com o trabalho investigativo em torno do assalto a uma farmácia em outubro deste ano, onde foram levados R$ 30 mil e medicamentos de disfunção erétil, realizado pela 9ª DP. Uma lista de mais de 100 nomes de assaltantes chegou a ser analisada. Em seguida, entrou junto a Corregedoria da BM que apurava o envolvimento de policiais militares em desvio de armamento da corporação. Os brigadianos presos estariam envolvidos também em outros roubos a estabelecimentos comerciais. 
As roupas apreendidas na ação seriam as mesmas usadas no roubo a farmácia e no ataque ao coronel reformado. Já o Gol abandonado foi periciado e as impressões digitais obtidas nele também remeteram aos brigadianos suspeitos. O mesmo veículo havia sido multado uma semana antes do assassinato da vítima, sendo identificado quem o conduzia na ocasião.
Segundo o delegado Alexandre Vieira, o modo como as armas eram empunhadas pelos criminosos no roubo a farmácia e na morte do militar reforçaram a tese de que os criminosos tinham treinamento próprio de policiais. 
Já o corregedor da BM, coronel João Gilberto Fritz, revelou que os dois policiais militares do 11º BPM estavam sendo alvo de uma investigação do órgão por desvio de armas. A desconfiança começou após a apreensão de uma pistola calibre 40, do batalhão dos suspeitos, apreendida em Caxias do Sul. “Não compactuamos com este tipo de conduta infratora”, assegurou o oficial, acrescentando que um IPM está sendo aberto agora para as providências cabíveis em relação aos brigadianos envolvidos.

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