Corre o ano de 1964 e o autor deste livro é um jovem estudante de 19 anos, voluntarioso, idealista e sonhador.
Nascido em 1944, em Palmares do Sul, no Litoral Norte do Estado, de família numerosa e de lides rurais, “Braguinha” (ou “Zé Carioca”) atravessa a vastidão do Rio Grande como destemido passageiro de uma Maria-Fumaça da VFRGS, com o vento pampeiro cofiando-lhe a face e tendo como absoluto horizonte próximo uma sala de aula na conceituada Escola Agrotécnica Federal (EAFA) de Alegrete, a exatos 487 km de Porto Alegre.
Tudo o que aspira pelos três longos anos e meio que virão será tornar-se um Técnico Agrícola (assim, em maiúsculas!), com habilitação em agropecuária e conhecedor qualificado das entranhas do campo. Nem tudo, no entanto, ocorrerá como o previsto.
Este sucinto livro de memórias, um tanto quanto autobiográfico, atesta em parte a consecução de tal objetivo e revela, enfim, e com robustas doses de nostalgia, as peripécias de Boaventura Martins Braga em seus tempos de cidadão alegretense.
Os incontáveis amigos que conquistou em meio a turbulências políticas radicais na história do país — os chamados anos de chumbo da ditadura militar—, foram os parceiros de um aprendizado que ultrapassou os muros da escola e também as testemunhas de ações que sacudiram o até então tranquilo cotidiano de um rincão remoto do extremo sul gaúcho.
Acompanhando a narrativa de Braguinha, cujo matiz de simplicidade não esconde um emotivo bem-querer pela vida, o leitor certamente sentirá um pouquinho de inveja por não ter estado nessa escola risonha e franca (e tumultuada), compartilhando com sua heterogênea rapaziada a transição da juventude para uma dura realidade de maturidade precoce e urgente.
Entenderá, também, a razão da enigmática pergunta que dá título ao livro: Tenente, onde fica o Alegrete?, cuja resposta não será aquela contida na linda canção dos manos Nico e Bagre Fagundes (ainda nem sequer composta), mas um presságio de decisiva revelação para todo um vasto futuro de trabalho.
Apesar de tantas lutas e receios, incontáveis recuos e avanços, nada menos que a vida em ação, o certo é que esse foi um tempo feliz que passou.
Braguinha que o conte...
E ele o conta, com talento e coração.
Tenente, onde fica o Alegrete? – Memórias de um estudante de técnicas agrícolas nos anos de chumbo da querência amada, de Boaventura Martins Braga ,será lançado na 58ª Feira do livro de Porto Alegre ,dia 11 de novembro domingo, ás 15h,na Praça Central de Autógrafos .

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