O Telmo nasceu na Para-boi, bairro tradicional de São Borja, ali no que sai do cemitério, filho de seu Leonardo Francisco de Freitas, militar do exército, e de dona Mariana de Lima Freitas, dona de casa. Com os seus sete irmãos e irmãs, o menino Telmo se criou nessa chácara que era na realidade uma estanciola com todas as possibilidades de brinquedo para um guri campeiro. Ele é sobrinho de um famoso gaiteiro, Cantalício Pires de Lima, conhecido como Três Bugios, por ser o inventor desse ritmo autenticamente gaúcho. A mãe do Telmo, dona Mariana, também beliscava um violão.
Telmo guri foi aprendiz de sapateiro e meia colher de pedreiro, além de ser exímia foice na lavoura de arroz. Serviu no famoso regimento João Manoel de São Borja, de onde deu baixa como cabo apto à promoção de terceiro sargento. Em Nhu-Porã, no interior de São Borja, fez amizade com Cláudio Oraindi Rodrigues, o lendário tio Manduca, e graças a ele conheceu um moço contador que viera de Porto Alegre para trabalhar no bolicho dos Pozueco - seu nome era Aparício da Silva Rillo, que logo se revelaria um grande poeta e pesquisador das coisas do pago. Telmo entra para o serviço federal, mas a sua vocação era mesmo o combate às drogas. Criada a Polícia Federal, o gaúcho entra nela como agente e faz especialização em Brasília e nos Estados Unidos. Exímio atirador, torna-se monitor de tiro. Aposenta-se na Polícia Federal com notável folha de serviços e é até hoje um verdadeiro ídolo entre essa elite da nossa polícia: seu nome foi escolhido para dar título ao Galpão Crioulo da Polícia Federal em Porto Alegre.
Telmo toca violão e cordeona. Exímio compositor, é prêmio certo em muitos festivais como a Califórnia da Canção. Excelente poeta e cantor, interpreta muito bem os seus poemas e canções, declamando e cantando. É o orgulhoso pai do Kiko Freitas, hoje o maior baterista do Brasil. Telmo de Lima Freitas, a quem eu chamo carinhosamente de Jundiá, meu companheiro de grandes pescarias, é também mestre de panelas e espetos, absoluto na beira do fogo. O seu galpão aqui em Cachoeirinha é uma Salamanca do Jarau, onde tem seus cavalos e seus cachorros, onde divide amor e hospitalidade com sua esposa, a dra. Iara Peres Cardoso Freitas, advogada. Telmo gravou cinco LPs e quatros CDs, publicou um livro de poemas e está escrevendo um livro de contos gauchescos. Mestre de truco, com sua melena grisalha e sua barba patriarcal, sério e solene, é o próprio pajé missioneiro, referência obrigatória do gauchismo.
Grande e querido Jundiá, que Deus te abençoe sempre e te conserve muitos anos entre nós, com tua gaita, com teu violão e com teu autêntico gauchismo!
Fonte: Nico Fagundes em 28/05/2007
Juramento do Jornalista
Juro exercer a função de jornalista assumindo o compromisso com a verdade e a informação. Atuarei dentro dos princípios universais de justiça e democracia, garantindo principalmente o direito do cidadão à informação. Buscarei o aprimoramento das relações humanas e sociais,através da crítica e análise da sociedade,visando um futuro mais digno e mais justo para todos os cidadãos brasileiros.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Falece o Jornalista Carlos Bastos
O jornalismo gaúcho perdeu um de seus maiores mestres e testemunhas vivas da história política e cultural do país. Faleceu em Porto Alegre,a...
-
O tradicionalista e músico gaúcho Euclides Fagundes Filho, o Bagre Fagundes, está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospita...
-
A Polícia Federal deflagrou nesta manhã , a Operação Miragem. A ação tem como objetivo desarticular um complexo esquema de fraudes e crimes...
-
A ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopez, foi presa novamente em uma nova fase da operação que investiga graves irregulari...

Nenhum comentário:
Postar um comentário