Greve é um movimento em que muitas pessoas são prejudicadas, mas ainda assim é a maior e melhor ferramenta de pressão que os trabalhadores tem em suas mãos. O Sindimetrô tentou manter todas as formas de diálogo com a Trensurb. Entregamos nossa Pauta de Reivindicações no dia 15 de março do ano corrente e, desde então, mantivemos contato direto com os gestores da empresa, mas não vínhamos obtendo sucesso. Somente agora - com a paralisação - é que fomos ouvidos pela empresa.
Em nenhum momento os metroviários desejavam paralisar as operações do metrô. Sabemos do imenso transtorno que é a falta do transporte público para os estudantes, trabalhadores, idosos...; milhares de pessoas que diariamente precisam sair de casa para cumprir seus compromissos. Somos solidários com a revolta do povo que, aliás, é a mesma que permeia nossos corações, mas alguma atitude deveria ser tomada para que pudéssemos ser atendidos em nossas reivindicações.Infelizmente, na maior parte das vezes, nossos usuários e a opinião pública - um seleto grupo formado por pessoas dignas - não se mostram preocupados para com as condições que o serviço está sendo executado no metrô. Há uma cultura de que "se está funcionando, está bom", mas não é dessa maneira que as coisas devem ser encaradas.
A luta do Sindimetrô não resume-se a uma questão financeira de um determinado grupo de trabalhadores, mas sim o combate a uma série de medidas erradas que a Trensurb vem adotando para destruir a cultura metroviária no estado. A empresa que deveria investir em estudos, em aprimoramento técnico, em manutenção e, quem sabe, até fabricação de trens no estado é a Trensurb; mas nada disso é feito. Muito pelo contrário, as demissões de metroviários e o esvaziamento de setores fundamentais da empresa fazem com que ser metroviário e entender das funções metroviárias perca-se.

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