Em entrevista coletiva na sede da Federação das Associações de Municípios (Famurs), os oito prefeitos das cidades envolvidas na Operação Cartola, da Polícia Civil, criticaram a forma com que foi realizada a ação, ontem. O presidente da entidade, Mariovane Weis, classificou a iniciativa de "pirotécnica" e afirmou que os prefeitos foram desrespeitados pela abordagem de 541 policiais. Alguns mandatários criticaram o vazamento de informações para a imprensa, alegaram que os documentos são públicos e disseram que pretendem acionar na Justiça a Polícia Civil por abuso de autoridade.
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CMN), Paulo Ziulkoski, criticou a maneira com que a operação foi conduzida pelo Ministério Público (MP), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Polícia Civil, prejudicando os funcionários públicos municipais indiscriminadamente. Ziulkoski defendeu a importância do combate à corrupção, mas considerou que a força-tarefa usou um efetivo grande demais e que a operação foi “midiática”.
Operação Cartola é resultado de dez meses de investigação de agências de publicidade que financiariam campanhas eleitorais em troca de favorecimentos políticos e vantagens em licitações. De acordo com a Polícia Civil, uma agência, localizada no Centro de Porto Alegre, teria envolvimento com o crime e tinha contrato com as prefeituras de Osório, Tramandaí, Viamão, São Sebastião do Caí, Cachoeirinha, Canela, Parobé e Alvorada. O prejuízo chegaria a R$ 30 milhões.
O estabelecimento terceirizava os serviços e superfaturava os contratos, sempre com as mesmas fornecedoras. Segundo a investigação, essas empresas recebiam pelos serviços ou não executavam o previsto no contrato, pagando propina a funcionários municipais para manter o esquema. Três prefeituras suspenderam o contrato com a agência após a operação, outras três informaram que o acordo já havia sido rescindido e duas mantiveram-o.
Fonte:CP
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