“Aliviar sofrimentos”. Na concepção do diretor do Centro de Transplantes da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, José Camargo, esta é a função primordial dos médicos. Durante palestra no Tá na Mesa da Federasul, de hoje, ele confessou temer que Brasil siga o mesmo erro americano de enxergar o enfermo como consumidor.
Segundo ele, “nos Estados Unidos instituiu-se uma medicina defensiva, onde o médico é obrigado a se cercar de uma série de precauções por medo de sofrer um processo. Isso aumenta dramaticamente os custos, despersonaliza a relação médico/paciente, aumenta o turismo médico para outros países”, justificou lembrando que o Brasil já sente esta reação e está atendendo estrangeiros.
José Camargo, que foi aplaudido de pé, no final da palestra, disse ainda que o diagnóstico precoce do câncer de pulmão é “caríssimo” e que, por esta razão, somente 20% dos pacientes são operados. “Num país onde as pessoas morrem por doenças curáveis, como a dengue, a tomografia computadorizada, capaz de revelar o câncer no pulmão no seu início, é impensável de tão cara”.
Ao falar sobre Os Médicos do Século XXI ele criticou a impessoalidade dos profissionais que se escondem atrás da instituição. “Normalmente quando se pergunta a um paciente com quem ele está se tratando ele não sabe dizer o nome do médico e sim da instituição onde está fazendo o tratamento”, explicou.

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