O jornalista Antônio Pimenta Neves, ex-diretor de redação do jornal O Estado de S. Paulo, foi transferido ontem para a penitenciária de Tremembé, em São Paulo, 11 anos depois de ter confessado o assassinato de sua ex-namorada, a também jornalista Sandra Gomide.
Pimenta Neves, de 74 anos, chega a Tremembé para cumprir pena de 15 anos de prisão, depois de o Supremo Tribunal Federal ter recusado na terça-feira o último recurso apresentado pelo acusado, ordenando a execução imediata da sentença.
No dia 20 de agosto de 2000, Pimenta Neves assassinou com dois tiros nas costas Sandra Gomide, 31 anos mais jovem que ele e que havia sido sua funcionária no jornal.
Pimenta Neves cometeu o crime em um sítio da cidade paulista de Ibiúna por não aceitar o fim da relação sentimental com Sandra. Quatro dias depois do assassinato, Pimenta Neves se entregou à Polícia e confessou o homicídio.
O jornalista foi preso, mas em março de 2001 acabou beneficiado por um habeas corpus que o permitiu aguardar em liberdade condicional a resposta judicial a um recurso apresentado para tentar anular o julgamento.
Após várias manobras jurídicas para atrasar o processo, Pimenta Neves foi finalmente condenado em 2006 a 19 anos e dois meses de prisão, pena que depois foi reduzida a 15 anos. Porém, graças aos benefícios do habeas corpus, o jornalista se esquivou da condenação até esgotar os recursos na última instância judicial.
A previsão é que Neves ocupe uma cela individual durante as duas primeiras semanas na prisão, até que a direção da penitenciária decida o momento oportuno para que divida o espaço com outros réus, segundo a Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo.
O pai da vítima, João Gomide, expressou seu alívio pela prisão de Pimenta Neves e afirmou que pensava que morreria antes de vê-lo preso. "Já não tinha mais esperança de vê-lo na prisão. Não tinha nem vontade de viver. Agora estou satisfeito", declarou

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