O presidente da escola de samba mais afetada pelo incêndio desta manhã, a Grande Rio, de Duque de Caxias (Baixada Fluminense), Helinho Oliveira, estimou que o fogo destruiu 98% do que tinha sido feito para o carnaval. Ele acredita que, a um mês do desfile, não haverá tempo para refazer carros alegóricos e fantasias.
Mesmo assim, Helinho convoca a comunidade para entrar na avenida:
— O samba não foi queimado. A vontade da Grande Rio de ser campeã também não foi. Você, de Caxias, segure as lágrimas ou chore para extravasar, mas vamos desfilar. Vamos desfilar com roupa ou sem roupa. Faremos alguma fantasia , nem que seja uma pluma, nem que seja um biquíni com paetê.
Restou apenas um adereço: o abre-alas que sintetiza o samba-enredo da escola, a lenda da Ilha de Florianópolis, decorado com caldeirões de bruxaria e fogo. O abre-alas havia sido construído especificamente para os ensaios técnicos.
— O samba diz que o calderião vai ferver, e literalmente ferveu. Todas as fantasias, panos, não tem mais nada — disse Luiz Eduardo Azevedo, diretor-geral de Harmonia.


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