Juramento do Jornalista

Juro exercer a função de jornalista assumindo o compromisso com a verdade e a informação. Atuarei dentro dos princípios universais de justiça e democracia, garantindo principalmente o direito do cidadão à informação. Buscarei o aprimoramento das relações humanas e sociais,através da crítica e análise da sociedade,visando um futuro mais digno e mais justo para todos os cidadãos brasileiros.

Aposentadoria

Ainda hoje, seis anos depois da aposentadoria de Bruna Surfistinha, Raquel Pacheco, 26 anos, divide-se entre a garota de fala mansa e desejos como o de qualquer outra mulher (vida tranquila com o marido, filhos, o diploma de psicóloga) e o vulcão que segue atiçando o imaginário alheio, agora turbinado pela imagem de Deborah Secco como protagonista do filme.
Raquel/Bruna, criadora e criatura, desenham seus domínios. Na internet — universo em que a ex-garota de programa se tornou célebre ao narrar seus encontros com clientes em um blog —, cada uma tem seu canto: Raquel narra seu cotidiano classe média com o marido, jantares de casal e tardes na piscina com as amigas no blog Raqpac (www.raqpac.blogspot.com); Bruna dá conselhos sexuais e amorosos e conta as novidades de seus projetos profissionais no site Não, não para... (www.naonaopara.virgula.uol.com.br/brunasurfistinha). Como Raquel já descobriu, depois de tamanha exposição, Bruna não sairá de cena tão cedo.
— Antes, era nome de guerra. Agora, é personagem. A Bruna me deu vários frutos, principalmente depois da prostituição.
Ao contabilizar tudo o que ganhou com Bruna, Raquel se foca nas amizades, nos fãs e no marido, o advogado de 35 anos que conheceu primeiro como cliente. Mas Bruna, a forma pouco convencional de redenção da garota que se sentia um patinho feio na escola, também foi um passaporte para a fama que rendeu — e ainda rende — dividendos. Somando os três livros que já lançou (que incluem ainda O que Aprendi com Bruna Surfistinha e Na Cama com Bruna Surfistinha), já vendeu mais de 300 mil exemplares, negociou os direitos de sua história para o cinema e tem mais projetos pela frente ancorados na personagem.
Raquel faz um balanço dessa experiência, lamenta ainda não ter retomado o contato com os pais e anuncia seus planos futuros:
— Vivo minha vida literalmente. Percebo que a maioria das pessoas deixa de ser o que realmente querem ser com medo das opiniões alheias. A vida é muito curta para se viver tentando agradar os outros e não o que se quer realmente viver. É isso que passo com minha história: tudo bem, errei muito, sacaneei meus pais, fugi de casa, mas sempre busquei minha felicidade, e continuo buscando.

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