Faxinal do Soturno pode ajudar a escrever uma página importante para a paleontologia, a ciência que estuda a evolução da vida na Terra. Uma pesquisa divulgada por especialistas neste mês dá conta de que o réptil voador mais primitivo do mundo teria habitado a região há cerca de 220 milhões de anos.
Trata-se do Faxinalipterus minima, denominado assim em homenagem à cidade em que foi encontrado e ao tamanho reduzido que teria – semelhante a um pardal. A descoberta tem base em fragmentos de ossos parecidos com os de um pterossauro, retirados de um sítio paleontológico na localidade de Linha São Luis.
Os fósseis foram encontrados há cerca de cinco anos. Nenhum outro animal semelhante tinha sido achado no Estado até então. Este seria o réptil voador mais antigo do mundo. São pedaços de ossos da perna, do ombro e dos maxilares do animal. Desde então, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Fundación de Historia Natural Félix de Azara, da Argentina, se debruçaram sobre o material para chegar a um veredicto.
– São fragmentos muito pequenos de ossos, parecem de um camundongo. É muito pouco, não dá para formar um esqueleto inteiro, mas as características são parecidas com as de um pterossauro. Não dá pra ter 100% de certeza, mas tudo indica que seja – afirma o professor de paleontologia de vertebrados da UFRGS, Cesar Schultz.
Com a publicação da descoberta, agora resta aguardar a repercussão na comunidade paleontológica. Há cerca de um ano, os ossos estão à disposição do especialista em pterossauros Alexander Kellner, no Rio. Em um ano, ele deve concluir a análise.
– É uma questão em aberto. Acredito que seja algum animal relacionado com um pterossauro – avalia Kellner.
De acordo com Schultz, há pouco material para definir, por exemplo, como se alimentava o réptil. O certo é que, pela condição do fóssil, ele teria vivido no período triássico.
Se for comprovada esta possibilidade, a teoria de que os pterossauros se originaram no Hemisfério Norte cairia por terra. Os répteis voadores mais primitivos, até então, foram encontrados na Itália e não seriam de mais de 210 milhões de anos atrás.
Fonte:ZH
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