
Saramago é autor de uma obra que engloba 16 romances, dois volumes de poesia, cinco peças de teatro, volumes de crônicas e memórias e um ou outro objeto inclassificável, como é o caso de seu último título lançado no Brasil, O Ano de 1993, uma coletânea de textos alegóricos, misto de prosa e poesia.
Os momentos mais significativos da carreira do escritor, contudo, seriam posteriores. O primeiro deles, envolvendo O Evangelho Segundo Jesus Cristo, livro de 1991 que provocou uma polêmica estrondosa no católico Portugal. Por pressões da sociedade cristã conservadora, o governo retirou, em 1992, a indicação do romance como representante do país no Prêmio Literário Europeu. Devido ao episódio, Saramago mudou-se em 1993 para a ilha espanhola de Lanzarote, e nunca retornou. Em 1998, o nome de Saramago ganhou projeção planetária com a concessão do Nobel de Literatura, o primeiro a um autor de língua portuguesa.
Seu último romance editado foi Caim, publicado em 2009.
Saramago tinha uma filha do primeiro casamento, com Ilda Reis, que durou de 1944 a 1970. Em 1986, conheceu a jornalista espanhola Pilar del Río, 28 anos mais jovem, que, fascinada por O Ano da Morte de Ricardo Reis, quis conhecer o autor e com ele refazer caminhos do heterônimo pessoano por Lisboa. Do tal passeio resultou o casamento, ao qual Saramago sempre se referiu com a ternura de um grande amor. Em As Pequenas Memórias, a dedicatória de Saramago é para Pilar. Que, nas palavras do escritor, “ainda não havia nascido, e tanto tardou a chegar”.
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