Quando Mafalda Ribeiro recebeu de um amigo botões de rosa vermelha, deu-se conta de que havia sido atendida no pedido feito a Santa Teresinha: tudo tinha corrido bem na cirurgia para extirpar um câncer de mama, e ela iria sobreviver. Passados 11 anos, Mafalda continua em tratamento, bem viva para se alegrar com seus 74 anos e ainda em atividade profissional. O que teria acontecido com ela? Um feliz acaso, as rosas foram sinal de milagre ou a operação e o tratamento bem-sucedido apenas resultado de uma rigorosa lógica médica?O que há de novo para ser saudado é que agora essa verdade já transpõe as portas dos hospitais com uma naturalidade impensável há algumas décadas. As pesquisas se multiplicam, o conhecimento avança e sustenta uma mudança nas relações entre a medicina e os pacientes. Há uma nova linguagem da fé em curso. Como diz o médico Fernando Lucchese, diretor do Hospital São Francisco e do Instituto de Cardiologia:
– Hoje o médico deve colocar a mão no ombro do paciente.
Por muito tempo, os doentes foram tratados de uma forma clássica, restrita à relação causa e efeito: se alguém tem dor de cabeça, é porque há algo errado, a solução é um remédio. Na década de 50, surgiu a medicina psicossomática. A mesma dor de cabeça pode passar com remédio, mas a causa continua, provocada por algum problema familiar, no emprego etc.
A Universidade de Harvard (EUA) deu esse passo. E o seguinte, em 1985, quando acrescentou uma palavra à equação: medicina psicossomática-espiritual. Os pesquisadores se deram conta da nova verdade: o homem ia além dele e da sua dor, para incorporar sua realidade emocional e espiritual, um conjunto a ser decifrado e diagnosticado com precisão. O trabalho de aproximação com os pacientes começou a ser visto como essencial.
Fonte:ZH
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